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Fim do parcelamento no cartão sem juros: como fica a situação?

Confira a proposta e opiniões de especialistas sobre o comércio e consumidores se realmente os juros das parcelas no cartão passarem a ser cobrados

Uma notícia publicada no jornal Valor Econômico dessa semana fez com que comerciantes e clientes se revoltassem, principalmente por afetar diretamente a eles.

Trata-se da proposta de que o setor de cartões propõe acabar com o parcelado sem juros, apresentada pela ABECS (Associação Brasileira das Empresas de Cartão de Crédito e Serviços).

Enquanto alguns acreditam que essa seja uma maneira de forçar as pessoas a comprarem à vista e, desse modo, atrapalhar o orçamento do varejo, outros avaliam essa ação como uma jogada bancária.

Segundo Augusto Lins, presidente da ABIPAG (Associação Brasileira das Instituições de Pagamento), isso significa uma transferência de renda do consumidor e do varejo para os grandes bancos emissores.

Isto é, com um suposto fim do “parcelado sem juros”, o consumidor deverá compulsoriamente recorrer a um crédito com os principais bancos para manter seu padrão de consumo.

Ganha de um lado, perde do outro

Considerando as taxas de juros atualmente praticadas pelos bancos, estima-se que essa medida custaria aproximadamente R$ 90 bilhões no resultado do varejo, devido à redução do consumo.

Por meio do parcelamento sem juros muitos lojistas atraem mais clientes

O presidente da UNECS (União Nacional das Entidades de Comércio e Serviço), Paulo Solmucci, indica que as vendas no parcelado sem juros têm peso significativo no volume total do varejo.

“Por meio dela os lojistas conseguem atrair clientes. Seu fim fatalmente reduziria de forma significativa as bases de venda”, conclui.

Fábio Pereira, contador e sócio da S&P Assessoria Empresarial, explica que a maioria dos lojistas necessita de capital de giro para honrar seus compromissos ou até mesmo para repor o estoque.

Com isso, acabam antecipando os recebíveis de cartões de crédito mediante pagamento de juros para as administradoras dos cartões.

“Muitas vezes o lojista embute os juros desse desconto no valor do produto, transferindo para o consumidor o custo da antecipação dos recebíveis”.

De acordo com Pereira, os lojistas que utilizam essa prática para levar vantagem financeira provavelmente as perderão.

“Para as instituições financeiras não haverá grandes mudanças, pois o consumidor já paga as parcelas a elas, ou seja, os riscos continuarão os mesmos”, revela.

Levantamentos apontam que o varejo será o setor mais afetado, já que possui na venda parcelada sem juros pelo cartão de crédito parte considerável de suas receitas.

Uma pesquisa da Consultoria Tendências relatou que 91% dos varejistas consultados indicaram que cartão de débito e crédito aumentam as vendas.

 Já 82% deles apontaram que a aceitação dos cartões também aumenta o ticket médio de suas vendas.

(No ramo dos negócios, “ticket médio” é o termo utilizado para se referir ao valor gasto pelo cliente em cada compra).

E como fica o consumidor nessa questão dos juros?

O parcelamento sem juros no cartão de crédito substituiu os cheques pré-datados. Por serem garantidos em cadeia pelos bancos emissores, são a forma mais barata da sociedade financiar o consumo.

Na nova proposta, o consumidor deve efetuar o pagamento aos bancos

“Qualquer coisa diferente disso seria criar mais uma reserva de mercado para pouquíssimos bancos totalmente verticalizados, que aumentam o custo da economia ao não reduzir seus spreads”, afirma Lins.

(Para esclarecer, spread é o termo utilizado no ramo bancário para indicar a diferença entre o preço repassado e o que custa realmente para o banco).

Já Fábio acredita que para o consumidor não haverá mudanças no planejamento financeiro.

Isso porque quando ele efetua a compra parcelada no cartão de crédito sem juros o lojista recebe o pagamento da primeira parcela após 30 dias e os demais nos meses subsequentes.

“Pela nova proposta, o lojista passa a receber o total da venda após 5 dias, ficando o consumidor com a obrigação de efetuar o pagamento aos bancos, na quantidade de parcelas que combinar na ocasião da compra”, explica.

Nesse cenário, o consultor crê não haver mudanças na forma como as famílias se planejam financeiramente.

Vale lembrar que na proposta está a previsão de que tais valores sejam impressos em comprovante durante a compra.

“Considerando a proposta como está, os valores dos produtos tendem a cair e o consumidor a ser beneficiado pela redução”, conta.

E continua: “Além de ficar mais claro para o consumidor quais os valores de juros e demais taxas que incidirão no crediário a ser feito com os bancos”.

Quando isso terá um desfecho?

A ABECS ainda está discutindo sobre o assunto e revelou que ainda não há mais detalhes porque os estudos se encontram em fase inicial.

O órgão regulador permanece argumentando com o setor propostas para reduzir as taxas incidentes sobre as operações de débito e para o parcelado sem juros.

A tendência é que se chegue primeiro a uma solução para a questão do débito, pois especialistas a consideram “mais fácil de ser acertada”.

Em abril do ano passado o Banco Central mexeu no chamado rotativo dos cartões de crédito, em uma  medida na qual o saldo remanescente após 30 dias de uso dessa modalidade é automaticamente parcelado com taxas menores.

Agora nos resta aguardar mais notícias sobre o que ficará negociado sobre os juros nos parcelamentos e todas as suas incidências se essa proposta for aprovada.

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2 thoughts on “Fim do parcelamento no cartão sem juros: como fica a situação?

  1. Maria José

    Eu nem estava sabendo disso. Gente, sou comerciante e tô besta com isso. Amei essa matéria, como isso não está sendo divulgado em outros lugares?

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